segunda-feira, 17 de junho de 2013

UMA REPORTAGEM SOBRE NAFTALY SZTAJNBERG, UM JUDEU SOBREVIVENTE QUE DURANTE O HOLOCAUSTO PASSOU POR 9 CAMPOS DE TRABALHO FORÇADO

Há duas coisas que Naftaly Sztajnberg fez que o salvaram durante o Holocausto. Por ser forte, trabalhou duro, dia e noite, sem nunca reclamar. A outra é que ele tentava dormir, nos campos de trabalho pelos quais passou, perto do crematório porque assim se encostava na parede quente e isso lhe ajudava a suportar o frio. As “técnicas” de sobrevivência foram adquiridas durante a penosa experiência pela qual passou: esteve em nove campos de trabalho forçado. No primeiro, o Branden, presenciou o que aconteceu ao irmão que fez corpo mole para o trabalho. “O Itzhak não quis trabalhar porque não tinha comida. Apanhou muito. Vi que não havia outra saída. Tinha de construir estradas sem reclamar.”

Naftaly foi pego para trabalhos forçados e passou por nove campos diferentes

         Naftaly nasceu em Sosnowiec e, três dias depois de atacarem a Polônia, os alemães chegaram à cidade dele. Foi obrigado a usar a estrela de Davi na roupa, proibido de entrar no cinema e teve de respeitar as restrições dos locais de compras de comida e os horários que poderia andar pela rua. Certa vez, ao passar por uma rua onde não estava autorizado a pisar, foi obrigado a pagar uma multa. Como não tinha dinheiro, acabou apanhando. Em 1942, ele e o irmão foram levados para trabalho forçado e a família foi para o gueto (depois foram mortos).

O irmão, Naftaly viu pela última vez num dos campos pelos quais passou. Eu dizia para ele que tinha de trabalhar e ficar quieto, senão morreria

         Quando foi transferido do Branden para outro campo, o Johannesdorf, ele se separou do irmão. Lá, trabalhou como maquinista e sofreu a primeira tortura. Pediu fósforo emprestado e alguém o delatou. Teve de marchar dez quilômetros. No final, levou chicotadas. Foi para o campo de Greivinz, onde trabalhou como pintor. “Havia judias que trabalhavam num escritório e os alemães nos forçavam a tirar a roupa e ir até elas. Era muita humilhação.” Naftaly passou por outros campos e sofreu nova tortura depois de roubar umas batatas. “Me chamaram pelo meu número de prisioneiro e me deram laçaço com o membro de um boi. Faziam de tudo para nos rebaixar mais do que já estávamos.”

Naftaly perdeu todos os parentes durante o Holocausto. Ele é um dos poucos sobreviventes que foi para um orfanato e acabou sendo reconhecido e teve sua identidade resgatada

         Quando soube que iria para o campo de Makstard, ficou feliz com a possibilidade de reencontrar o irmão. “Alguns haviam comentado comigo que Itzhak estaria lá.” Mas, quando chegou, só recebeu a notícia de que o irmão tinha sido queimado dois dias antes porque estava muito doente. “Era um golpe duro atrás do outro. Toda manhã, acordava entre defuntos. Sempre tinha alguém que morria durante a noite.”

Naftaly foi torturado em um dos campos de trabalho forçado porque pediu um fósforo. Recebeu 25 chicotadas. Era muita humilhação

         Já próximo à queda dos nazistas, em 1944, Naftaly foi obrigado (com os outros presos) a se deslocar do campo onde estava para outro mais distante, para que os soviéticos não os salvassem. Essa movimentação era conhecida como marcha da morte. Ele participou da marcha para Rosrozen e, de lá, foi para o campo de Buchenwald. “Um avião americano veio e começou a atirar. Fomos salvos.”

Naftaly lembra que ia dormir no campo e, no dia seguinte, acordava e tinha muita gente morta ao seu lado. Elas morriam de esgotamento físico, fome e frio

         Aos 23 anos e sem família, Naftaly foi levado para o Centro de Reabilitação Kloster In­­dersdorf, na Baviera, onde eram acolhidos crianças e jovens desabrigados. De lá, foi para Israel e serviu ao exército. Mas o trabalho também era muito duro. Migrou para a Áustria e depois veio ao Brasil por indicação de amigos. Dos 1,1 mil abrigados de Indersdorf, somente 330 foram reconhecidos até hoje. Apenas um é do Brasil: Naftaly Sztajnberg.




Comentário do Grupo:
Devido a extrema maldade e as incredulidades feitas com os judeus na época do nazismo, pessoas como Naftaly são raridade e devem ser prestigiados pela coragem, paciência e inteligência que os ajudaram a sobreviver a este regime tão intolerante, pois não são apenas sobreviventes, são guerreiros que souberam se submeter a regime de modo que conseguissem sobreviver por mais tempo. Naftaly e todos os outros judeus, sejam eles vivos ou não deveriam ser levados como um exemplo de força e coragem para todos nós. Força de conseguirem seguir em frente mesmo após de verem suas famílias sendo torturadas, de aguentar cada noite fria e de cumprirem todas as suas terríveis penas sem reclamar. A coragem dos massacrados durante a Segunda Guerra Mundial não era a que todos conhecemos; os sobreviventes não enfrentaram os soldados ou gritaram e encorajaram todos a se revoltarem contra Hitler, e sim a coragem de se submeter, de se humilhar e de respeitar terríveis soldados, mesmo estes não sendo merecedores de nada disto. 
Os nazistas podem dizer ao contrário, e negar isto para sempre mas os verdadeiros vencedores da Segunda Guerra Mundial não foram os países mais bem estruturados ou as pessoas com melhor armamento, e sim aqueles que mesmo após de tanta humilhação não perderam seu caráter, sua essência e ainda hoje contam suas histórias com orgulho.

UMA REPORTAGEM SOBRE V.T., O JUDEU SOBREVIVENTE QUE NÃO GOSTA DE FALAR SOBRE O HOLOCAUSTO, POIS SABE QUE NENHUM RELATO SE COMPARARÁ COM A REALIDADE ENFRENTADA POR ELE

Foi difícil convencer V.T., 87 anos, a falar sobre o Holocausto. A justificativa é bastante compreensível. Segundo ele, não há palavras que possam dar a dimensão do que foi a perseguição dos nazistas aos judeus. Ele está certo. A insistência por uma entrevista, porém, valeu a pena para o registro histórico. Depois de três visitas ao local de trabalho, sem poder gravar e com a exigência de não identificá-lo (ele permitiu apenas fotos), V.T. contou o que viu e viveu.

V.T não queria dar entrevista e só aceitou depois de muita insistência da reporter.

         Ele, provavelmente, é o último sobrevivente do Holocausto que reside em Curitiba e tem no braço esquerdo a tatuagem, feita brutalmente, com as iniciais do campo de trabalho e o seu número de prisioneiro. “Foi tortura. Eles tinham várias agulhas com tinta na ponta que estavam presas numa madeira. Baixaram as agulhas direto no meu braço e, pronto, depois de dois segundos o número ficou marcado na pele.” Ele nunca pensou em tirar a marca, mas teve de aprender a conviver com ela, principalmente quando vai tomar banho.

V.T foi para campo de trabalho forçado e teve marcado no seu braço o número de prisioneiro e as letras iniciais do campo. Uma das primeiras torturas pelas quais passou

         Foi no campo de Shargorod, onde ele viveu forçadamente de 1942 a 1944, que testemunhou as atrocidades. Havia 15 mil presos entre ciganos e judeus. Esses últimos tinham de vestir o pijama listrado. V.T. acordava às 6 horas para responder à appel (chamada) e, quem não ia, era morto na hora. Às vezes, a chamada demorava horas para ser finalizada, o que fazia com que os mais esgotados caíssem mortos de fome e frio. Também viu os que não tinham mais nenhuma esperança e se grudavam na cerca elétrica de arame farpado para acabar com a própria vida. Os prisioneiros mais velhos do campo, conta ele, ficavam com o serviço mais humilhante: tinham de tirar os cabelos dos mortos e lhes arrancar os dentes. Os alemães comercializavam o cabelo e queriam saber se havia dentes de ouro. “Eu não fiz isso porque tinha 17 anos, mas vi os mais velhos serem obrigados a fazer.”
         Depois, os corpos eram levados em um barracão e ficavam ali até o trem ir buscá-los. “Quando saí do campo, comprei um sabão que vinha com um carimbo escrito em alemão que seria gordura de judeus. Veja senhora, fizeram sabão com os judeus mortos”, afirma.


Nenhum parente de V.T sobreviveu ao Holocausto. Nos campos, ele viu coisas horríveis como judeus sendo obrigados a arrancar dos judeus mortos cabelos e dentes


Horror e fome
         O trabalho de V.T. era infinito. Ele e outros prisioneiros tinham de construir e reconstruir estradas. As que terminavam de fazer eram bombardeadas pelos partisans (guerrilheiros) ou pelos soviéticos, então, todo o trabalho recomeçava. Para tanta força empreendida, porém, ganhavam uma comida miserável. “Era disputa de comida o tempo todo. Eu saí de lá com 40 quilos.”
         Ao ouvir o barulho dos bombardeios, em 1944, V.T. sabia que a vida no campo de trabalho estava perto do fim. “Os soviéticos chegaram rápido, então não deu tempo de os nazistas fuzilarem todo mundo. Pois era isso o que eles faziam.” Os soldados alemães fugiram e deixaram os uniformes, que foram queimados pelos prisioneiros com uma cantoria de comemoração. “Lembro até hoje do nome dos dois soldados russos que me salvaram e saíram comigo do campo”, conta, com ar de alívio. Os americanos lhe deram suprimentos. Tinha de ir comendo aos poucos para acostumar o corpo a ingerir novamente a quantidade de nutrientes necessários para sobreviver. Alguns prisioneiros que saíram do campo, ao se alimentar em grande quantidade e muito rápido, morreram de congestão.
         No campo de refugiados, V.T. ganhou da Internacional Refugee Organization (IRO) um documento, parecido com um passaporte, que lhe “abria as portas” para recomeçar a vida. Esse documento, que ele fez questão de mostrar, o identificava como refugiado e, por meio dele, conseguia as mais diversas ajudas: desde comida até passagem para outros países.
         “Um amigo foi para a Venezuela e depois me escreveu dizendo que estava bem lá, mas que eu deveria ir ao Brasil porque era um país que carecia de tudo para crescer, por isso seria promissor. E eu achava que aqui se falava espanhol.” V.T. desceu em Recife e sobre a vinda dele a Curitiba, diz, sorrindo, é outra história.





Comentário do Grupo:
Casos como de V.T são muito comuns, afinal o Holocausto causou não só dor física, emagrecimento, fome e etc.. mas também dor emocional, de pessoas que viram seus pais e filhos serem mortos e foram tratados como vermes, por isso a vida nos campos de concentração causou muitos traumas aos judeus, ciganos.. É natural que após passarem este tempo terrível de suas vidas os antigos prisioneiros se negarem a contar detalhes sobre seus piores pesadelos e reviver o pior período de suas vidas. Afinal é preciso muita coragem e determinação para esquecer o passado e continuar vivendo tranquilamente como se tudo aquilo não passasse de um pesadelo, que num fechar de olhos pode ser relembrado involuntariamente.

JOSEF MENGELE, O "ANJO DA MORTE"

Josef Mengele (Günzburg, 16 de Março de 1911 — Bertioga, 7 de Fevereiro de 1979) foi um médico alemão que atuou também durante o regime nazista. O apelido de Mengele era Beppo, mas também era conhecido como Todesengel, “O Anjo da Morte”, nos campos de concentração.
         Mengele foi oficial médico chefe da principal enfermaria do campo de Birkenau, que era parte do complexo Auschwitz-Birkenau. No entanto, não foi o oficial médico em chefe de Auschwitz; acima na hierarquia encontravam-se os médicos Eduard Wirths e Hilario Hubrichzeinen. No fim da Segunda Guerra, Josef Mengele fugiu da Alemanha passando por alguns países, até encontrar asilo na Argentina, onde permaneceu durante algum tempo.


Josef Mengele, em sua juventude

As atrocidades de Mengele  

         Nas suas experiências com seres humanos em Auschwitz, Mengele injetou tinta azul nos olhos de crianças, uniu veias de gêmeos, deixou pessoas em tanques de água gelada para testar as suas resistências, amputou membros de prisioneiros e colecionou milhares de órgãos humanos no seu laboratório.
         A partir de 1943, os gêmeos eram selecionados e colocados em barracões especiais. Quando eram localizados gêmeos na rampa de seleção, os irmãos eram colocados num recinto especial e eram tratados melhor do que os restantes internos. Praticamente todas as experiências de Mengele careciam de valor científico, mas foram financiadas pelo governo Nazista. Incluíam, por exemplo, tentativas de mudar a cor dos olhos mediante injeções de substâncias químicas nos olhos de crianças, amputações diversas e outras cirurgias brutais e, pelo menos numa ocasião, uma tentativa de criar siameses artificialmente mediante a união de veias de irmãos gêmeos (a operação foi um fracasso e o único resultado foi o de que as mãos dos pacientes infectaram-se gravemente). As pessoas objeto de experiências de Mengele, no caso de sobreviverem, foram quase sempre assassinadas posteriormente para dissecação.
         Em cooperação com outros médicos, Mengele tentou também encontrar um método de esterilização em massa; muitas das vítimas foram mulheres a quem injetava diversas substâncias, tendo muitas delas sucumbido ou ficado estéreis.

  
As experiências de Mengele

         Mengele fez experiências com ciganos e judeus que tinham doenças hereditárias como nanismo, síndrome de Down, irmãos siameses e outras afecções e dissecou vivas algumas pessoas mestiças, submergindo depois os seus cadáveres numa tina com um líquido que consumia as carnes, deixando livres os ossos. Os esqueletos eram depois enviados para Berlim como macabro mostruário da degeneração física dos judeus ou outros.
         Por vezes realizava sessões de submersão de prisioneiros fortes em água gelada com o objetivo de observar as suas reações ante a hipotermia. Também cooperou com o seu equivalente da Força Aérea, o médico Sigmund Rascher da Luftwaffe, em algumas experiências em que submetia pessoas a mudanças de pressão extremas, e os indivíduos morriam com horrorosas convulsões por excessiva pressão intracraniana. Rascher foi o equivalente de Mengele na experienciação em seres humanos, mas este para fins militares. A sua perversidade andava a par da de Mengele, mas a sua história e destino foram muito distintos.
         Devido às atrocidades cometidas por Mengele durante a guerra, seu título de Doutor foi revogado pelas Universidades de Frankfurt e Munique.
         Mengele ordenou, numa ocasião, carregar um vagão de comboio com caixões que os prisioneiros notaram ser “demasiado pesados para o seu volume”. Os caixões iam com destino a Günzburg e alguns prisioneiros deduziram corretamente que deveriam conter lingotes de ouro, provenientes das extrações dentárias das vítimas do campo. Este foi um dos primeiros indícios de que Mengele tinha pressentido o fim da Alemanha Nazista.


A evasão

         Em 26 de Novembro de 1944, Richard Baer, comandante de Auschwitz, recebeu uma estranha ordem para desmantelar a instalação, decaindo o ritmo de extermínio do campo. A ordem provinha diretamente de Adolf Hitler (que depois se suicidaria), e a muitos causou surpresa à situação.
         Apenas 23 dias antes Mengele tinha estado na seleção de prisioneiros para enviar às câmaras de gás. Para ele a ordem não causou estranheza, pois estava convencido de que a Alemanha Nazista perderia a guerra.
         Mengele abandonou de forma encoberta o campo em 17 de Janeiro de 1945, tendo 10 dias depois chegado ao mesmo local o Exército Vermelho que acabou por libertar os poucos sobreviventes.

Gêmeas judias, antes de serem usadas para as experiências macabras de Mengele

         Josef Mengele abandonou Auschwitz e foi para o antigo campo de concentração de Gross-Rosen. Em Agosto de 1944 este campo fora encerrado. Em Abril de 1945 fugiu para o Oeste disfarçado como membro da infantaria regular alemã, com identidade falsa, mas foi capturado.
         Como prisioneiro de guerra, cumpriu pena de prisão perto de Nuremberga. Foi libertado depois, por se desconhecer a sua identidade. Durante os julgamentos de Nuremberga não se mencionou Josef Mengele como genocida.

Mengele, já no Brasil

         Sabe-se que fugiu para a Argentina, provavelmente ainda na década de 1940.
         Todavia, com a captura de Adolf Eichmann por agentes da Mossad, em Buenos Aires, Mengele decidiu fugir da Argentina e esconder-se no Paraguai para depois passar para o Brasil, onde teria vivido em Serra Negra, Assis, Nova Europa, Mogi das Cruzes e Bertioga, no estado de São Paulo, até a sua morte.
         Inacreditavelmente, nem a Mossad nem o Centro Simon Wiesenthal conseguiram localizá-lo apesar de o seu filho Rolf o ter visitado duas vezes e ter com ele trocado correspondência.
         Sabe-se hoje que Mengele viveu no Brasil modestamente numa favela sob o nome falso de Pedro Gerhard. Quando lhe perguntavam sobre o passado, afirmava que como oficial alemão se limitava a selecionar as pessoas aptas para o trabalho e que nunca matara ninguém.
         Em 1979, o seu estado de saúde estava em franca deterioração e a família alemã que o assistia convidou-o a refrescar-se numa praia de pendente muito suave, Bertioga, no litoral paulista, Mengele aceitou. Quando alguns membros se introduziram na água, Mengele seguiu-os até alcançar uma distância de 100m, mas a escassa profundidade. Então, por motivos confusos e nunca esclarecidos, afogou-se, apesar de um dos amigos que o acompanhava ter dado auxílio imediatamente (supôs-se de cãibras, ataque cardíaco ou até mesmo suicídio como causas da morte).

         A versão oficial é a de que se feriu, talvez acidentalmente, com um pedaço de madeira quando nadava em Bertioga, tendo isso provocado a sua morte por afogamento. Causa estranheza o fato de Mengele não saber nadar. Os seus ossos foram exumados em 1985, no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das Artes, na grande São Paulo. A perícia, conduzida por especialistas do IML e da FOUSP, determinou que a ossada era efetivamente do médico nazista: um defeito dental que tinha nos dentes superiores frontais foi comprovado, além de coincidir em idade e estatura. Em 1992, uma análise de ADN confirmou finalmente a sua identidade. Mengele nunca foi punido pelas suas atitudes, falecendo praticamente sozinho no litoral paulista


Comentário do Grupo
Josef Mengele tem certo destaque por sua participação na Segunda Guerra Mundial, que esta longe de ser positivo. Josef era um dos nazistas que se aproveitava dos judeus para fazer experiências científicas a fim de aumentar a rça ariana e impedir que judeus, deficientes mentais e fisicos e outras pessoas consideradas por ele inferiores aos alemães de terem filhos. As experiências malucas do"médico" são apenas mais indícios de que as teorias de Hitler sobre a superioridade da raça ariana não tinham nexo; afinal se pessoas que maltratavam outros só por pertencerem a outra religião e que consideravam pessoas superiores somente pela cor dos seus cabelos e olhos estavam acima de qualquer outro individuo, alguma coisa estava errada. Infelizmente certas pessoas demoraram a perceber isto e a entender a gravidade do Holocausto, e só descobriram o que realmente estavam apoiando muitas mortes, massacres e humilhações depois.

AS CRIANÇAS DURANTE O HOLOCAUSTO

As crianças eram especialmente vulneráveis durante a época do Holocausto. Os nazistas defendiam o assassinato de crianças de grupos “indesejáveis” ou “perigosos”, de acordo com a sua visão ideológica, tanto como parte da “luta racial” quanto como medidas de segurança preventiva. Os alemães e seus colaboradores matavam crianças por estas duas razões e também como retaliação aos ataques, reais ou inventados, dos partisans.
         Os alemães e seus colaboradores assassinaram cerca de 1,5 milhões de crianças, sendo um milhão delas judias, e dezenas de milhares de ciganos, além de crianças alemãs com deficiências físicas ou mentais que viviam em instituições, crianças polonesas, e crianças que moravam na parte ocupada da União Soviética. As chances de sobrevivência imediata dos adolescentes, judeus e de não-judeu, entre 13 e 18 anos eram maiores, já que podiam ser enviados para o trabalho escravo.

Crianças judias, após sofrerem nos campos de concentração

         O destino das crianças, judias e não-judias, pode ser classificado da seguinte maneira: 1) serem assassinadas assim que chegavam aos campos de extermínio; 2) serem mortas assim que nasciam ou mortas nas instituições onde viviam; 3) crianças que nasciam nos guetos e campos, mas que sobreviviam porque os prisioneiros as escondiam; 4) crianças, normalmente maiores de 12 anos, que eram usadas como escravas ou em experiências “médicas”; e 5) crianças que morriam devido às represálias nazistas nas chamadas operações anti-partisans.
         Nos guetos, as crianças judias morriam de inanição e por exposição aos elementos. As autoridades alemãs eram indiferentes a esses assassinatos em massa, pois consideravam a maioria das crianças dos guetos improdutivas e, portanto, “consumidores inúteis de comida”. Quando as crianças eram muito jovens para serem mandadas para o trabalho forçado, as autoridades alemãs as selecionavam, assim como aos mais velhos, doentes e deficientes, para serem os primeiros judeus a serem deportados para os campos de extermínio, ou então eram levadas até as covas de destruição em massa como as primeiras vítimas a serem metralhadas.

Garotos, magros em consequência à falta de comida oferecida aos judeus durante o holocausto

         Quando as crianças chegavam a Auschwitz-Birkenau, e em outros campos de extermínio, as autoridades nos campos enviavam a maioria delas diretamente para as câmaras de gás. As forças das SS e da polícia colaboracionista, na Polônia e nas áreas da União Soviética que estavam ocupadas pela Alemanha, friamente atiravam nas milhares de crianças colocadas à beira das enormes sepulturas. Infelizmente, em algumas ocasiões, as primeiras cotas de crianças a serem levadas para os centros de extermínio, ou para serem vítimas de operações de fuzilamento, eram o resultado da seleção efetuada pelos presidentes dos Conselhos Judaicos, conhecidos como Judenrat, em decisões controversas e difíceis, pressionadas pelos nazistas. A decisão tomada pelo Judenrat de Lodz para deportar crianças para o campo de extermínio de Chelmno, em setembro de 1942, é um exemplo das escolhas trágicas feitas por adultos que tinham que atender as exigências impostas pelos alemães. Janusz Korczak, diretor de um orfanato no Gueto de Varsóvia, porém, recusou-se a abandonar as crianças sob seu cuidado, e quando elas foram selecionadas para a deportação ele as acompanhou até o campo de extermínio de Treblinka, entrando com elas nas câmaras de gás, onde também foi assassinado.
         Crianças não-judias, pertencentes a outros grupos perseguidos, também não foram poupadas, entre elas as crianças ciganas assassinadas no campo de concentração de Auschwitz. Cinco a sete mil crianças alemãs também foram mortas, vítimas do programa de eutanásia” nazista; e muitas outras foram exterminadas em represália aos partisans, incluindo a maioria das crianças da cidade tcheca de Lídice, e dos povoados da União Soviética ocupada, que eram assassinadas junto com seus pais.

Crianças trajando o famoso "pijama listrado", o uniforme usado pelos judeus nos campos de concentração

         As autoridades alemãs também encarceraram um grande número de crianças em campos de concentração e nos de trânsito. Médicos e pesquisadores “médicos” das SS as utilizavam, principalmente aos gêmeos, para experiências médicas cruéis que resultavam na morte destas crianças. As chefias dos campos obrigavam os adolescentes, principalmente judeus, a trabalho forçado nos campos de concentração, onde muitos morriam. Os nazistas mantinham outras crianças sob condições aterrorizantes nos campos de trânsito, como ocorreu com Anne Frank e sua irmã em Bergen-Belsen, e também com crianças não-judias, órfãs de pais assassinados pelas unidades militares e policiais nas chamadas operações anti-partisans. Alguns destes órfãos eram mantidos temporariamente no campo de concentração de Lublin/Majdanek, bem como em outros campos de detenção.
         Em suas tentativas de “salvar a pureza do sangue ariano” os “especialistas raciais” das SS ordenaram que centenas de crianças polonesas e soviéticas, com características “arianas”, fossem raptadas e levadas para o Reich para que fossem adotadas por famílias alemãs racialmente corretas. Embora argumentassem que a base dessas decisões era “científica”, bastava elas terem o cabelo louro, olhos azuis, e pele clara, para merecerem a oportunidade de serem “germanizadas”. Por outro lado, quando as mulheres polonesas e soviéticas que haviam sido deportadas para a Alemanha para trabalho forçado ficavam grávidas de alemães, normalmente através de estupros, elas eram forçadas a abortar ou a dar à luz em condições que garantissem a morte do recém-nascido caso os “especialistas raciais" determinassem que aquela criança não era suficientemente ariana.
         Apesar de sua grande vulnerabilidade, muitas crianças conseguiram meios de sobreviver roubando e trocando o produto de suas atividades por comida e medicamentos para levar para dentro dos guetos. Os jovens que participavam dos movimentos juvenis ajudavam em atividades secretas da resistência, e muitas crianças fugiam, sozinhas ou com seus pais e familiares, para acampamentos organizados por partisans judeus.

Crianças na parte interior de um campo de concentração

         Entre 1938 e 1940, o Kindertransport, Transporte das Crianças, era o nome informal de um movimento de resgate que levou milhares de crianças judias, sem seus pais, para locais seguros na Grã-Bretanha, longe da Alemanha nazista e dos territórios por ela ocupados. Alguns não-judeus esconderam crianças judias, e algumas vezes, como no caso de Anne Frank, escondiam também outros membros da família. Na França, de 1942 a 1944, quase toda a população protestante da cidade de Le Chambon-sur-Lignon, bem como padres, freiras e católicos laicos deram abrigo a crianças judias, mantendo-as longe dos olhos dos nazistas. Na Itália e na Bélgica muitas crianças conseguiram salvar-se por terem sido escondidas nestes tipos de esconderijo.

         Após a rendição da Alemanha nazista e o fim da Segunda Guerra Mundial, os refugiados e pessoas deslocadas pela guerra passaram a procurar seus filhos por toda a Europa. Havia também milhares de órfãos nos campos para refugiados. Um grande número de crianças judias foi levado do leste europeu para áreas a oeste da Alemanha ocupada, em um movimento de êxodo em massa denominado Brihah, com a ajuda da organização Youth Aliyah, Imigração Jovem. Estas crianças foram posteriormente levadas para o Yishuv, nome dado à área dos assentamentos judaicos dentro do Mandato Britânico na Palestina, onde em 14 de maio de 1948 o Estado de Israel proclamou sua independência.




Comentário do Grupo:
Ao lermos um simples texto mostrando tantas atrocidades cometidas por nazistas na época do Holocausto para com as crianças, seres tão inocentes que nunca humilhariam alguém somente pela sua religião, cor, ou necessidades ficamos indignados com a desigualdade social existente não só na Segunda Guerra Mundial mas no dias de hoje, afinal o que aquelas crianças tão maltratadas tinham de tão diferente de nós a fim de que tivessem que sofre tanto? Porque pessoas tão ingênuas tiveram que ter seus sonhos destruídos, suas vidas interrompidas se muitas vezes nem conheciam a religião que pertenciam?
Apesar de toda esta indignação causada ao termos consciência de tudo o que as crianças sofreram, e muitas vezes depositarmos toda a culpa nos soldados nazistas e na Guerra precisamos lembrar que certas injustiças acontecem até hoje, seja pelo bullying, descriminação com portadores de necessidades especiais ou racismo. Devemos sempre evitar que nossa sociedade herde qualquer vestígio da intolerância da política de Hitler. 

O QUE FOI O HOLOCAUSTO?


“Holocausto” é uma palavra de origem grega que significa “sacrifício pelo fogo”. O significado moderno do Holocausto é o da perseguição e extermínio sistemático, apoiado pelo governo nazista, de cerca de seis milhões de judeus. Os nazistas, que chegaram ao poder na Alemanha em janeiro de 1933, acreditavam que os alemães eram “racialmente superiores” e que os judeus eram “inferiores”, sendo uma ameaça à auto-entitulada comunidade racial alemã.

Adolf Hitler, sintetizador da ideologia nazista

         O Holocausto foi uma prática de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante os anos de governo nazista de Adolf Hitler. Segundo a ideologia nazista, a Alemanha deveria superar todos os entraves que impediam a formação de uma nação composta por seres superiores. Segundo essa mesma idéia, o povo legitimamente alemão era descendente dos arianos, um antigo povo que – segundo os etnólogos europeus do século XIX – tinham pele branca e deram origem à civilização européia.

Exemplo de arianismo

         Dessa forma, para que a supremacia racial ariana fosse conquistada pelo povo alemão, o governo de Hitler passou a pregar o ódio contra aqueles que impediam a pureza racial dentro do território alemão. Segundo o discurso nazista, os maiores culpados por impedirem esse processo de eugenia étnica eram os ciganos e – principalmente – os judeus. Com isso, Hitler passou a perseguir e forçar o isolamento em guetos do povo judeu da Alemanha.

Judias em campo de concentração feminino

         Dado o início da Segunda Guerra, o governo nazista criou campos de concentração onde os judeus e ciganos eram forçados a viver e trabalhar. Nos campos, os concentrados eram obrigados a trabalhar nas indústrias vitais para a sustentação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Além disso, os ocupantes dos campos viviam em condições insalubres, tinham péssima alimentação, sofriam torturas e eram utilizados como cobaias em experimentos científicos.

Prisioneiros do Campo de Concentração de Buchenwald

         É importante lembrar que outros grupos sociais também foram perseguidos pelo regime nazista, por isso, foram levados aos campos de concentração. Os homossexuais, opositores políticos de Hitler, doentes mentais, pacifistas, eslavos e grupos religiosos, tais como as Testemunhas de Jeová, também sofreram com os horrores do Holocausto. Dessa forma, podemos evidenciar que o holocausto estendeu suas forças sobre todos aqueles grupos étnicos, sociais e religiosos que eram considerados uma ameaça ao governo de Adolf Hitler.

Grupo de judeus no campo de concentração de Auschwitz.


         Com o fim dos conflitos da 2ª Guerra e a derrota alemã, muitos oficiais do exército alemão decidiram assassinar os concentrados, a chamada "Solução Final". Tal medida seria tomada com o intuito de acobertar todas as atrocidades praticadas nos vários campos de concentração espalhados pela Europa. Porém, as tropas francesas, britânicas e norte-americanas conseguiram expor a carnificina promovida pelos nazistas alemães.

Fileiras de corpos enchem o campo de concentração de Nordhausende, Alemanha, 12 de abril de 1945.

         Depois de renderem os exércitos alemães, seus principais líderes foram julgados por um tribunal internacional criado na cidade alemã de Nuremberg. Com o fim do julgamento, muitos deles foram condenados à morte sob a alegação de praticarem crimes de guerra. Hoje em dia, muitas obras, museus e instituições são mantidos com o objetivo de lutarem contra a propagação do nazismo ou ódio racial.