segunda-feira, 17 de junho de 2013

UMA REPORTAGEM SOBRE NAFTALY SZTAJNBERG, UM JUDEU SOBREVIVENTE QUE DURANTE O HOLOCAUSTO PASSOU POR 9 CAMPOS DE TRABALHO FORÇADO

Há duas coisas que Naftaly Sztajnberg fez que o salvaram durante o Holocausto. Por ser forte, trabalhou duro, dia e noite, sem nunca reclamar. A outra é que ele tentava dormir, nos campos de trabalho pelos quais passou, perto do crematório porque assim se encostava na parede quente e isso lhe ajudava a suportar o frio. As “técnicas” de sobrevivência foram adquiridas durante a penosa experiência pela qual passou: esteve em nove campos de trabalho forçado. No primeiro, o Branden, presenciou o que aconteceu ao irmão que fez corpo mole para o trabalho. “O Itzhak não quis trabalhar porque não tinha comida. Apanhou muito. Vi que não havia outra saída. Tinha de construir estradas sem reclamar.”

Naftaly foi pego para trabalhos forçados e passou por nove campos diferentes

         Naftaly nasceu em Sosnowiec e, três dias depois de atacarem a Polônia, os alemães chegaram à cidade dele. Foi obrigado a usar a estrela de Davi na roupa, proibido de entrar no cinema e teve de respeitar as restrições dos locais de compras de comida e os horários que poderia andar pela rua. Certa vez, ao passar por uma rua onde não estava autorizado a pisar, foi obrigado a pagar uma multa. Como não tinha dinheiro, acabou apanhando. Em 1942, ele e o irmão foram levados para trabalho forçado e a família foi para o gueto (depois foram mortos).

O irmão, Naftaly viu pela última vez num dos campos pelos quais passou. Eu dizia para ele que tinha de trabalhar e ficar quieto, senão morreria

         Quando foi transferido do Branden para outro campo, o Johannesdorf, ele se separou do irmão. Lá, trabalhou como maquinista e sofreu a primeira tortura. Pediu fósforo emprestado e alguém o delatou. Teve de marchar dez quilômetros. No final, levou chicotadas. Foi para o campo de Greivinz, onde trabalhou como pintor. “Havia judias que trabalhavam num escritório e os alemães nos forçavam a tirar a roupa e ir até elas. Era muita humilhação.” Naftaly passou por outros campos e sofreu nova tortura depois de roubar umas batatas. “Me chamaram pelo meu número de prisioneiro e me deram laçaço com o membro de um boi. Faziam de tudo para nos rebaixar mais do que já estávamos.”

Naftaly perdeu todos os parentes durante o Holocausto. Ele é um dos poucos sobreviventes que foi para um orfanato e acabou sendo reconhecido e teve sua identidade resgatada

         Quando soube que iria para o campo de Makstard, ficou feliz com a possibilidade de reencontrar o irmão. “Alguns haviam comentado comigo que Itzhak estaria lá.” Mas, quando chegou, só recebeu a notícia de que o irmão tinha sido queimado dois dias antes porque estava muito doente. “Era um golpe duro atrás do outro. Toda manhã, acordava entre defuntos. Sempre tinha alguém que morria durante a noite.”

Naftaly foi torturado em um dos campos de trabalho forçado porque pediu um fósforo. Recebeu 25 chicotadas. Era muita humilhação

         Já próximo à queda dos nazistas, em 1944, Naftaly foi obrigado (com os outros presos) a se deslocar do campo onde estava para outro mais distante, para que os soviéticos não os salvassem. Essa movimentação era conhecida como marcha da morte. Ele participou da marcha para Rosrozen e, de lá, foi para o campo de Buchenwald. “Um avião americano veio e começou a atirar. Fomos salvos.”

Naftaly lembra que ia dormir no campo e, no dia seguinte, acordava e tinha muita gente morta ao seu lado. Elas morriam de esgotamento físico, fome e frio

         Aos 23 anos e sem família, Naftaly foi levado para o Centro de Reabilitação Kloster In­­dersdorf, na Baviera, onde eram acolhidos crianças e jovens desabrigados. De lá, foi para Israel e serviu ao exército. Mas o trabalho também era muito duro. Migrou para a Áustria e depois veio ao Brasil por indicação de amigos. Dos 1,1 mil abrigados de Indersdorf, somente 330 foram reconhecidos até hoje. Apenas um é do Brasil: Naftaly Sztajnberg.




Comentário do Grupo:
Devido a extrema maldade e as incredulidades feitas com os judeus na época do nazismo, pessoas como Naftaly são raridade e devem ser prestigiados pela coragem, paciência e inteligência que os ajudaram a sobreviver a este regime tão intolerante, pois não são apenas sobreviventes, são guerreiros que souberam se submeter a regime de modo que conseguissem sobreviver por mais tempo. Naftaly e todos os outros judeus, sejam eles vivos ou não deveriam ser levados como um exemplo de força e coragem para todos nós. Força de conseguirem seguir em frente mesmo após de verem suas famílias sendo torturadas, de aguentar cada noite fria e de cumprirem todas as suas terríveis penas sem reclamar. A coragem dos massacrados durante a Segunda Guerra Mundial não era a que todos conhecemos; os sobreviventes não enfrentaram os soldados ou gritaram e encorajaram todos a se revoltarem contra Hitler, e sim a coragem de se submeter, de se humilhar e de respeitar terríveis soldados, mesmo estes não sendo merecedores de nada disto. 
Os nazistas podem dizer ao contrário, e negar isto para sempre mas os verdadeiros vencedores da Segunda Guerra Mundial não foram os países mais bem estruturados ou as pessoas com melhor armamento, e sim aqueles que mesmo após de tanta humilhação não perderam seu caráter, sua essência e ainda hoje contam suas histórias com orgulho.

Um comentário:

  1. Conheço Sr. Naftalí uma pessoa sofredora com um coração super dócil, que Deus conceda muita saúde pra ele.

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