Há
duas coisas que Naftaly Sztajnberg fez que o salvaram durante o Holocausto. Por
ser forte, trabalhou duro, dia e noite, sem nunca reclamar. A outra é que ele
tentava dormir, nos campos de trabalho pelos quais passou, perto do crematório
porque assim se encostava na parede quente e isso lhe ajudava a suportar o
frio. As “técnicas” de sobrevivência foram adquiridas durante a penosa
experiência pela qual passou: esteve em nove campos de trabalho forçado. No
primeiro, o Branden, presenciou o que aconteceu ao irmão que fez corpo mole
para o trabalho. “O Itzhak não quis trabalhar porque não tinha comida. Apanhou
muito. Vi que não havia outra saída. Tinha de construir estradas sem reclamar.”
Naftaly foi pego para trabalhos forçados e passou por nove campos diferentes
Naftaly nasceu em Sosnowiec e, três
dias depois de atacarem a Polônia, os alemães chegaram à cidade dele. Foi
obrigado a usar a estrela de Davi na roupa, proibido de entrar no cinema e teve
de respeitar as restrições dos locais de compras de comida e os horários que
poderia andar pela rua. Certa vez, ao passar por uma rua onde não estava
autorizado a pisar, foi obrigado a pagar uma multa. Como não tinha dinheiro,
acabou apanhando. Em 1942, ele e o irmão foram levados para trabalho forçado e
a família foi para o gueto (depois foram mortos).
O irmão, Naftaly viu pela última vez num dos campos pelos quais passou. Eu dizia para ele que tinha de trabalhar e ficar quieto, senão morreria
Quando foi transferido do Branden para
outro campo, o Johannesdorf, ele se separou do irmão. Lá, trabalhou como
maquinista e sofreu a primeira tortura. Pediu fósforo emprestado e alguém o
delatou. Teve de marchar dez quilômetros. No final, levou chicotadas. Foi para
o campo de Greivinz, onde trabalhou como pintor. “Havia judias que trabalhavam
num escritório e os alemães nos forçavam a tirar a roupa e ir até elas. Era
muita humilhação.” Naftaly passou por outros campos e sofreu nova tortura
depois de roubar umas batatas. “Me chamaram pelo meu número de prisioneiro e me
deram laçaço com o membro de um boi. Faziam de tudo para nos rebaixar mais do
que já estávamos.”
Naftaly perdeu todos os parentes durante o Holocausto. Ele é um dos poucos sobreviventes que foi para um orfanato e acabou sendo reconhecido e teve sua identidade resgatada
Quando soube que iria para o campo de
Makstard, ficou feliz com a possibilidade de reencontrar o irmão. “Alguns
haviam comentado comigo que Itzhak estaria lá.” Mas, quando chegou, só recebeu
a notícia de que o irmão tinha sido queimado dois dias antes porque estava
muito doente. “Era um golpe duro atrás do outro. Toda manhã, acordava entre
defuntos. Sempre tinha alguém que morria durante a noite.”
Naftaly foi torturado em um dos campos de trabalho forçado porque pediu um fósforo. Recebeu 25 chicotadas. Era muita humilhação
Já próximo à queda dos nazistas, em
1944, Naftaly foi obrigado (com os outros presos) a se deslocar do campo onde
estava para outro mais distante, para que os soviéticos não os salvassem. Essa
movimentação era conhecida como marcha da morte. Ele participou da marcha para
Rosrozen e, de lá, foi para o campo de Buchenwald. “Um avião americano veio e
começou a atirar. Fomos salvos.”
Naftaly lembra que ia dormir no campo e, no dia seguinte, acordava e tinha muita gente morta ao seu lado. Elas morriam de esgotamento físico, fome e frio
Aos 23 anos e sem família, Naftaly foi
levado para o Centro de Reabilitação Kloster Indersdorf, na Baviera, onde
eram acolhidos crianças e jovens desabrigados. De lá, foi para Israel e serviu
ao exército. Mas o trabalho também era muito duro. Migrou para a Áustria e
depois veio ao Brasil por indicação de amigos. Dos 1,1 mil abrigados de
Indersdorf, somente 330 foram reconhecidos até hoje. Apenas um é do Brasil:
Naftaly Sztajnberg.
Comentário do Grupo:
Comentário do Grupo:
Devido a extrema maldade e as incredulidades feitas com os judeus na época do nazismo, pessoas como Naftaly são raridade e devem ser prestigiados pela coragem, paciência e inteligência que os ajudaram a sobreviver a este regime tão intolerante, pois não são apenas sobreviventes, são guerreiros que souberam se submeter a regime de modo que conseguissem sobreviver por mais tempo. Naftaly e todos os outros judeus, sejam eles vivos ou não deveriam ser levados como um exemplo de força e coragem para todos nós. Força de conseguirem seguir em frente mesmo após de verem suas famílias sendo torturadas, de aguentar cada noite fria e de cumprirem todas as suas terríveis penas sem reclamar. A coragem dos massacrados durante a Segunda Guerra Mundial não era a que todos conhecemos; os sobreviventes não enfrentaram os soldados ou gritaram e encorajaram todos a se revoltarem contra Hitler, e sim a coragem de se submeter, de se humilhar e de respeitar terríveis soldados, mesmo estes não sendo merecedores de nada disto.Os nazistas podem dizer ao contrário, e negar isto para sempre mas os verdadeiros vencedores da Segunda Guerra Mundial não foram os países mais bem estruturados ou as pessoas com melhor armamento, e sim aqueles que mesmo após de tanta humilhação não perderam seu caráter, sua essência e ainda hoje contam suas histórias com orgulho.
Conheço Sr. Naftalí uma pessoa sofredora com um coração super dócil, que Deus conceda muita saúde pra ele.
ResponderExcluir